They Can Care Less



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os meus posts são a melhor description que irão encontrar, não tentarei me descrever em algumas palavras para o about, mas toda a minha personalidade e muito do que passa na minha cabeça está dita no que está escrito aqui, meu nome é mariana e sou viciada no meu twitter (maripessini)

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I don’t need a hug, I need your

indireto-diario:

Eye, drawed by me… 

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Eye, drawed by me… 

katespadeny:

dress colorfully
blow up, 1966

katespadeny:

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blow up, 1966

pensador-profundo:

Poltronas de ônibus não são confortáveis, paródia universal. Johnny Walker atentava o horizonte sem árvores, o mesmo horizonte, a mesma imagem a cada quilometro e a mesma falta de árvores. “Sempre gostei de girassóis” repetia em silencio, “Pena que não tem nenhum, há”. Coisas estranhas sempre passam a mente quando se está confinado, estamos todos confinados, todos pensamos de maneira estranha. Johnny não tinha olhos verdes, tinha apenas o sonho de voltar para casa. Silêncios pendentes deixou para trás. Ônibus são mais rápidos que aviões, se você gostar de janelas e tiver criatividade suficiente. Uma árvore no horizonte, e uma história em um caderno desbotado…

             ”Diz a lenda que todos somos protagonistas do nosso filme, no momento em que passar a ser coadjuvante, corrija o roteiro, pois algo está errado. Conheci uma garota no meu filme, linda, inteligente, especial… Pensava igual a mim, rara portanto. Dei meu coração. Não acredito em astrologia, presidentes, telefones e expectativas. A garota, Claire, também não acreditava em astrologia, típico de leão… Não, não acredito mesmo… A conheci na primeira semana de viagem, estava lendo algo em alguma cafeteria. Eu fiquei lá, observando, até conseguir identificar o título do livro, Violetas Vermelhas, ótimo livro, eu o comprei em outra viagem, ótima história, até agora minha tese dizia que eu não conhecia ninguém que tivesse lido, ótimo conflito, tive que conhecê-la. A cafeteria chamava-se Mirage de la Colline, tinha um ótimo cappuccino. Sempre me considerei inseguro quando se trata de comunicação com outras pessoas, sou tímido para quem não me conhece, ninguém me conhece. Sentei em uma mesa logo atrás dela, pedi um cappuccino, jurei que quando acabasse de bebê-lo iria falar com o singular indivíduo que me encantou. O nome da garçom que levou minha xícara vazia era Marie, guardamos todos os nomes nesses momentos… Levantei-me, estranhamente, ela também. Passou por mim, imóvel, soltei um “Olá”, ela respondeu com um sorriso e saiu da Mirage de la Colline, com o livro na mão. Existe uma música dos Beatles chamada Like Dreamers Do, não sei porque pensei nela, me pareceu apropriada. Sentei-me novamente, pedi mais uma xícara á Marie, tomei mais três cappuccinos sozinho, eram bons… Tudo bem, o crepúsculo avançava lentamente enquanto eu andava. Era segunda-feira, meus instintos lógicos diziam que, provavelmente, no mesmo dia em outra semana ela voltaria. Minha cópia de Violetas Vermelhas estava guardada em algum lugar, seria um bom tópico de conversa se eu e ela estivéssemos lendo o mesmo livro, ou talvez não, nada nunca me confundiu tanto. Segunda-feira seguinte, Mirage de la Colline, lá estava eu com outro cappuccino, minha lógica mostrara-se errada. Na capa do meu exemplar de Violetas Vermelhas tem uma parte em azul que diz “6,5 milhões de cópias vendidas pelo mundo”, refleti que eu fazia parte disso e ela também, aonde quer que estivesse, fazíamos parte dos 6,5 milhões, é um número grande, mais ou menos a população da Irlanda. Mais cedo ou mais tarde teria que sair daquele lugar, ou gastaria todas minhas economias com café, se ele não fosse tão bom… Novamente paguei a Marie e me dirigi para a saída, distraído, abri a porta. Dizem que esperar o inesperado é sempre bom. Ela, a garota, parada do outro lado da porta, sorriu e agradeceu por segurar a porta, imóvel e sem reação eu disse algo em resposta, não lembro o que. Desci a escada pensando em voltar, ela estava lá, pedindo algo à Marie, mas seria estranho, continuei andando em silêncio com Violetas Vermelhas nos braços. Atrás de mim ouço passos rápidos, no fundo eu sabia quem era…: 

 - psiiuuu!  

Andei mais rápido, fingindo que ignorava, ela persistiu: 

 - Violetas Vermlhas é um ótimo livro… 

Nesse momento, parei e respondi sem jeito: 

 - Bom, é sim… 

 - Nunca conheci alguém que tivesse lido - sorri - Nem eu… 

Grandes olhos castanhos me fitavam - Meu nome é Claire.

 - Claire… belo nome.

 - Obrigada! Posso saber o seu?

 - Sou Pierre, Pierre Labut.

          Existe outra música dos Beatles chamada I’Ve Just Seen Your Face, desta vez, essa encaixou-se perfeitamente comigo, com Claire, com Violetas Vermelhas, com a Mirage de la Colline, e da maneira de como eu estava. Entre 6,5 milhões de leitores, lá estávamos nós. Claire D’Frank era linda, inteligente, e para mim, especial demais. Conversamos um pouco, eu e meu jeito sem-jeito e ela e sua timidez, semelhante à minha. Desde aquele dia toda a tarde de segunda-feira eu estava lá, na Mirage de la Colline, com um cappuccino, esperando Claire, que as vezes sentava-se comigo, outros dias não aparecia, outros eu fitava o transito em frente a cafeteria. Deixei de concordar com a população, que dizia que segunda-feira era o pior dos dias. Um dia, em especial, Claire apareceu e sentou-se junto a mim, nunca deixei de sentir-me nervoso e confrontado quando falava com ela, não sei se ela sentia o mesmo, acho que não. Tomamos um cappuccino, acabei descobrindo que eles são melhores se houver alguém do seu lado. Eu e meu jeito sem-jeito falávamos de arte, de marte, de clarezas e de cerejas, ela falava sobre corujas, sobre uvas, sobre manhãs e sobre maças. Claire, Claire D’Frank… Quando meu cappuccino acabou, peguei a mão de Claire, meus olhos encontraram os dela, então a beijei. Cappuccino. De repente tudo pareceu tão pequeno e tão insignificante. Mentiria se dissesse que não foi bom. Claire foi embora mais cedo aquele dia. Claire, Claire, Claire… Pierre… Eu e minha lógica, Pierre et sa logique. Segunda-feira seguinte, novamente eu e meu cappuccino, lady D’Frank não apareceu. Senti-me desorientado, não tomei todo o cappuccino, apenas fui embora, ela não estava do outro lado da porta, nem ouvi passos rápidos enquanto eu andava. O transito parecia triste aquele dia. Tudo bem… Isso já aconteceu antes. Algumas semanas depois encontrei Claire no caminho da Mirage de la Colline, pareceu assustada quando me viu. Tenho tendência a me imaginar como um ogro, o que não é bom. Aprendi a amar Claire, aprendi a sonhar cada noite com seu rosto, aprendi a aprender. Ela me evitava, sempre pensei nisso. Veio em minha direção…:

 - Pierre…

 - Claire! Como você está?

Sorriu e respondeu:

 - Bem Pierre, e você?

 - Tudo bem Claire.

Eu e meu jeito sem-jeito:

 - Você está linda Claire.

Sorriu e riu.

 - Claire…

          Ninguém realmente entende, Camões disse que o amor é fogo que arde sem se ver, um contentamento descontente. Shakespeare disse que o amor pobre é aquele que se pode medir. Nenhum estava certo. Ninguém está certo, somos errantes em um mundo errado disfarçado de certo para parecer erroneamente certinho. Claire nunca me olhou nos olhos, sei que à amava. Outra dos Beatles chama-se I’ll Follow The Sun, uma das minhas favoritas, nada, é legal, apenas”

        Johnny fechou o caderno, a noite adentrava, não distinguia mais o horizonte e as árvores, talvez ainda estivessem lá. Todos estavam dormindo, sonhando provavelmente, “com o que?” perguntava-se. Johnny tinha olhos castanhos. Fim dos silêncios pendentes, “Sempre gostei de girassóis… Pena que não tem nenhum, há”